postado por Ana Brugge20.05.2019

A ordem Sweetgreen de Madelaine Petsch é a primeira coisa que aprendi sobre ela: couve e rúcula com cebolas vermelhas, cenouras, pepinos, maçãs, limão e azeite de oliva. Eu sei disso porque as 8 da manhã do dia em que devo entrevistá-la, sou enviada para compra-lo. A salada não é para qualquer um, é para Cheryl Blossom, ou a mulher que a interpreta em Riverdale, o drama teen da CW baseado nos personagens da Archie Comics. Cheryl é aquela garota do ensino médio que, só por diversão, torna quase impossível a vida de todos – a mesma garota que te enviaria em busca de uma salada impossível.

Petsch não é Cheryl Blossom, obviamente. Eu reviso minhas anotações em meu telefone enquanto as corro de Uber pela Pacific Coast Highway rumo ao local das filmagens que acompanharão esse perfil: Petsch é uma atriz de 24 anos de Portland Orchard, Washington. Ela estava trabalhando como barista, garçonete e assistente até conseguir entrar para Riverdale, que foi seu primeiro grande papel na TV. Ela disse uma vez que conseguiu o papel depois de 247 audições e rejeições.

As filmagens estão acontecendo em um complexo hippie tardio nas colinas de Topanga Canyon, e eu já posso ver as chamas do cabelo de Petsch através da janela da tenda onde ela está se arrumando. Você não pode falar sobre Madelaine Petsch sem falar sobre o cabelo dela. É naturalmente ruivo – quase um vermelho – e quando entro na tenda, Petsch decidiu que quer mais. As extensões são aplicadas enquanto ela as escolhe. Primeiro ela vai usar um poderoso terno floral por Veronica Beard. Em seguida, ela quer colocar o terno Zimermann de linho vermelho com os óculos de sol da sua própria linha, e então o vestido floral lilás Altuzarra.  Ela é uma estrela há apenas dois anos, mas nesse período ela adquiriu mais de 14 milhões de seguidores no Instagram e 4 milhões em seu canal no YouTube, e de maneiras importantes, ela já é uma pessoa diferente. “Eu me separo da Madelaine, que trabalhava como assistente de um fotógrafo para a Madelaine, que agora é financeiramente independente” diz a atriz.

De certa forma, tem sido uma transição fácil para Madelaine. Parece que ela nasceu pronta para isso – as câmeras, as roupas, os fãs. O tempo de inatividade não é algo que a atriz gosta, “Eu não sei porque, por natureza, adoro estar ocupada, mesmo quando criança. Eu ia para a escola, depois voltava e ia direto para aula de dança, comia, fazia o dever de casa e ia para cama e depois fazia tudo de volta.” Com intervalos mais curtos no set, ela pega seu tripé para fazer novos conteúdos para o YouTube e, assim que o fotógrafo está filmando novamente, ela se move pelo espaço graciosamente.

Depois daquela difícil audição no final de 2015, Petsch estava sendo levada para Vancouver para filmar o piloto da série. Quando o show foi ao ar em uma paisagem de entretenimento já mais do que um pouco obcecado com adaptações de quadrinhos como a Marvel, foi um grande sucesso. “Nós fomos ao ar no final de janeiro depois em julho fomos para a Comic Con. Eu nunca estive em um lugar onde havia tantos fãs assim, e então quando as pessoas gritaram nossos nomes e o nosso painel estava esgotado, eu estava tipo ‘Caramba’.” 

No caso de Madelaine, a atenção foi ainda mais intensa: sua personagem complicada atraiu qualquer um que já tenha sido diferente, Cheryl se apaixonou por sua colega de classe Toni Topaz (protagonizada pela melhor amiga da atriz, Vanessa Morgan), garantindo o desmaio coletivo de todo espectador LGBT que já havia visto o show. Ao longo da série, Cheryl lida com uma variedade de dificuldades: a morte de seu irmão, um relacionamento desmoralizante e tóxico com sua mãe que é um poco de homofobia internalizada que desmente um ódio profundo à própria pessoa. “Cheryl é uma personagem muito desafiadora para se fazer. [Ela] se odeia porque não está aberta com quem ela é” diz Petsch. Isso, acredite ou não, ela se relaciona. “Eu era uma garota solitária de 15 anos que não tinha ideia de quem era”. 

A personagem de Madelaine também lhe ensinou algo importante: “Quando as pessoas mostram ódio pelas outras, normalmente elas não gostam de quem elas são.” 

Quando Cheryl finalmente se declara por Toni, a relação – que os fãs chamam de “Choni” – a leva trabalhar através da homofobia internalizada que muitas vezes é parte das histórias de amor LGBT na vida real. Foi também a chave para os fãs poderem se relacionar com ela. “Eu sinto que durante toda a primeira temporada, ninguém realmente a entendeu”, diz ela. “O fato dela estar apaixonada permitiu que outras pessoas a entendessem, mas também que ela aprendesse sobre si mesma.”  Madelaine e Vanessa Morgan, que se conheceram em um teste para a série, são muito próximas na vida real.  “Vanessa tem sido minha melhor amiga por tanto tempo, temos uma química natural”. Através do seu relacionamento, inter-racial e LGBT, a fonte de autovalor de Cheryl muda de colocar os outros para baixo para possuir sua identidade. “Eu amo que ela esteja apaixonada”, diz a atriz.

Madelaine está ciente de que isso não é apenas uma história de amor. Representação é uma grande parte da missão de Riverdale. Com essa realidade vem a responsabilidade, “Ver dois adolescentes em um relacionamento [LGBTQ] na televisão está se tornando mais normal, mas quando eu era criança, não consigo pensar em um. Para mim, é realmente ótimo que eles tenham a capacidade de ver a representação abertamente na televisão, e que haja pessoas por aí que os apoiam. Especialmente  porque menos da metade da geração Z se identifica como ‘exclusivamente heterossexual’.”– num clima político que tem conscientemente apoiado medidas anti-LBGTQ – a representação positiva do mesmo é ainda mais necessário. Cheryl levou Petsch a pensar muito sobre a família também – especificamente, o papel que os pais desempenham em sua trajetória e influenciam o quanto você se sente confortável consigo mesmo. “Eu tive um ambiente familiar muito amável e de apoio. Eu tenho pais maravilhosos, e eles me levaram para aulas de dança todos os dias depois da escola, me colocaram no teatro”, lembra ela. “Um mundo tão criativamente realizado e tão aberto para ser o que eu quisesse.”

Cheryl, não tinha isso, e isso acontece em todas as áreas de sua vida. “A mãe dela, até hoje, nunca realmente a aceitou, especialmente sua sexualidade, e eu quero que as pessoas entendam que, se elas tem a sorte de ter uma família que as apoia e as amam, para realmente apreciar.”

Para Madelaine, uma parte interessante do relacionamento de Choni é como ela irá resistir aos desafios típicos do ensino médio. Uma teoria popular dos fãs é que Heather, o primeiro amor de Cheryl, irá voltar. “Eu quero que isso aconteça”, diz Petsch. “Acho que criaria uma dinâmica interessante para as duas.” Ela ainda diz que Choni, como todas as relações profundas e significativas, terá que aprender a se comunicar com maturidade, especialmente à medida que elas se apaixonam ainda mais. Quando eu pergunto em voz alta se Cheryl terá que superar Toni, Petsch apenas diz: “Acho que esse será o maior obstáculo delas, o ciúme de Cheryl”.

Agora que as filmagens da terceira temporada terminaram, Madelaine não precisa mais pensar em sua personagem pelo menos por um tempinho. Exceto que Riverdale permeou quase todas as áreas de sua vida. Ela passa muito tempo se comunicando com os fãs nas mídias sociais, e com seus colegas de elenco. A história que o elenco de Riverdale são todos amigos é o que vários publicistas insistem, mas Petsch me garante que é absolutamente 100% verdade. “Na verdade, somos melhores amigos”, diz ela. “Todos eles sabem tudo sobre mim.” Eles, de fato tem um grupo de mensagem chamado “Berlanti’s Angels”, batizado em homenagem ao produtor executivo da série Greg Berlanti. “Todos estarão no meu casamento”, acrescenta ela.

Então, o que vem a seguir? Eu pergunto, casualmente, quando nos sentamos para falar. “Eu sei que as artes são onde eu preciso estar para o resto da minha vida”, diz Madelaine. Ela leva seu papel a sério, mas também quer ser conhecida por mais do que isso. “Eu amo a Cheryl, estou muito animada por continuar a interpretá-la, é muito legal estarmos na quarta temporada, mas também estou animada para fazer outras coisas e para as pessoas me verem em diferentes luzes.”

Por exemplo, ela adora fazer vídeos em seu canal do YouTube. “Eu gosto do YouTube porque é uma plataforma para eu ser apenas eu mesma, e as pessoas realmente apoiam isso, o que eu nunca pensei que fosse acontecer.” diz ela. “Eu achava que as pessoas apoiariam a Madelaine como atriz sendo outras pessoas, mas as pessoas apoiam Madelaine como Madelaine, o que é incrível.”

Ela diz que seu plano para os próximos meses é “Entrar em uma boa rotina de exercícios, comer muito saudável, beber meu suco de aipo, estar em Los Angeles e [praticar] um pouco de autocuidado antes da quarta temporada”, o que soa muito básico e muito descontraído para a Madelaine que eu conheço. Então Madelaine pega sua salada não consumida e caminha para o sol.

Fotógrafo: Eric Ray Davidson

Estilista: James Worthington DeMolet

Cabelo: Marc Mena para artistas exclusivos

Maquiagem: Elie Maalouf usando cosméticos NARS @ TMG-LA

Editor de vídeos: Ben Hype

ENSAIOS FOTOGRÁFICOS – PHOTOSHOOTS > 2019 > ELITE DAILY

 

Tradução e adaptação: Madelaine Petsch Brasil.

 

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